sexta-feira, 7 de outubro de 2011

A arte de odiar II

Amor e Ódio 

Eu te amo com todo ódio que te tenho!
Amo com o mais suave dos venenos
 Com o mais doce sentimento!
Com a dor mais profunda de alguém
 Que chora em silêncio.

       Eu te amo...
Com todo ódio que te tenho!
Amo com a fragilidade de uma flor!
Amo com a força de um guerreiro.
      
      Eu te amo...
      E te odeio...
Com todos os sentimentos...
Como a tempestade que passa,
Com o assobio de um leve vento.

     Eu te odeio,
  Porque te amo  demais
Este amor que te tenho!

(LENI MARTINS) autora do poema



A arte de odiar

Eis que lhe afirmo que odiar é uma arte pura! 


Poucos de nós pararam para pensar em quão sublime é a declaração de ódio... Profunda, gritante e ardente Cuja chama não se pode extinguir entre simples palavras. Muito pelo contrário, a cada suspiro do odiado ela se intensifica... 
Surgindo então o desejo de sangue. Roubar-lhe os dias em alguns segundos e sentir o sangue quente escorrer entre os dedos... O que todos julgam como pesadelos lhe soa tão doce! 
Juro que quem não odeia jamais amou! O ódio é justamente o amor desfigurado como o Nosferatu, que um dia foi belo... Sincero, inocente... Hoje é o Frankenstein com suas partes costuradas a fio da dor, repulsa e arrependimento!
Não se conquista uma centena de amigos sem se conquistar pelo menos a metade ou o dobro em inimigos.
Não se ama o oposto se ele não lhe soou estranho na primeira vez e o encantou. 
Humanos tem tendência esconder o que amam por medo de serem julgados... Eu lhes declaro que Amo o ódio que tenho pois tenho o direito de sentí-lo! E não posso renegá-lo! 


Ah! Que ódio eu sinto! Ah que arte maligna é essa da crença! 


Como pude deixar atarem meus braços e pés e ainda vendarem meus olhos?! 
Óh vós que me desprezais por essa declaração sublime, esperai! Eis que lhes mostro meus motivos! Juro que se viceis o que eu vi também se juntaria a mim nesta cantiga!


Criança pequena cujo pai desceu a cova quando esta ainda era muito nova... 
Criança inocente que mente por medo de castigarem suas costas 
Criança pequena que em reza pediu para que dela cuidassem 
Criança que cuja mãe iludida e casada novamente sofreu maus tratos 
Eis que as boas lembranças são soterradas com cobranças e xingamentos 
E os que estão de fora apontam: São crentes!
Que crença é essa que te sufoca e faz desejar a morte enquanto ainda criança?!
Não meus pequeninos! Quebrai os grilhões da ignorância! Se o teu deus te ordena amar porque sufocas? 
Acaso queres impor amor à força? 
Não meus pequeninos, não perdoarei aqueles que sacrificam a própria vontade de viver e roubam a minha! 
Sim! Eu odeio! Odeio porque fomos traídos e enganados! Nos manipularam como quiseram e os nossos restos mortais ficaram ao relento!


Odeio aqueles que matam e ferem em nome de um deus! Tenham um motivo melhor! Admitam que são gananciosos! 
Matem em seu nome! Tudo é comércio... Alma é comércio, salvação se compra por algumas gramas de ouro.


Odeio porque tenho o direito de odiar. Juro... Juro que quem nunca odiou jamais foi capaz de amar!