terça-feira, 13 de março de 2012

Chapter XXIV O som que morre part 2

Não importava o que acontecia, a imagem de Narciso tocando seu violino não saía mais da minha cabeça...
Eu poderia cortá-la fora, mas isso não me parecia uma garantia de que aquele som ia parar.
Estava passando do nível de agradável para atordoante...
O som não apenas ecoava em ríspidas arcadas que interrompidamente se entrecortavam, as vezes sublimes, as vezes brutais, mas ainda assim tinham um som que morria súbito suplicante.


O quarto onde me encontro é exageradamente luxuoso, dotado de um conforto exacerbado que me deixa desconfortável... Mas, Ricartto parece absurdamente feliz com aquela almofada gigantesca de veludo azul sobre a cama dele. Brinca com ela arranhando-a pulando e por mim adormecia cansado de sua brincadeira... Tão fofo! *-* 
Não consigo "desligar-me". O som não pára. E nada incomoda mais um cadáver animado que um som insistente. Pelo menos no meu caso é assim. Levantei-me em silêncio absoluto e saí do quarto verificando os corredores procurando a origem do som, sabendo que ao encontrá-la veria Narciso novamente... E de alguma maneira isso me incomodava. Deixava uma insegurança que senti poucas vezes, principalmente quando me apontavam uma arma desconhecida e eu não sabia que tipo de ataque viria, qual seria seu efeito? 

Não era como se Narciso fosse me atacar, ele não era burro! Ou será que iria? Mas o que estou pensando?! Que estupidez é essa? Porque estou lembrando do calor do beijo que Narciso me deu naquele dia?? Isso é totalmente irrelevante! Esse som que outrora era maravilhoso agora me parece uma ópera infernal! 

Estou andando entre os corredores de design barroco são tantos corredores divididos, cruzados entre si, tantos pilares alinhados que não consigo ver o final do lugar... Não havia notado que O Valsa Dantesca era tão grande assim... Certamente estou perdida. Poderia passar a eternidade perdida nesses corredores tudo bem pra mim se for desse jeito... 
Qualquer coisa é melhor do que ficar parada vendo Narciso tocar, ouvindo-o sem poder compreender o que ele tanto deseja mostrar com essa insistência em ser ouvido... Narciso... Irei encontrá-lo por tanto... Não pare de tocar!