A boa notícia é que agora eu tinha Ricartto para lidar com minha lista.
A má notícia... É que ele continuava me acordando as 6 da manhã ou mais cedo dependo da missão.
Hoje simplesmente ele escolheu uma missão particularmente irritante à princípio pois era considerada relativamente fácil: Matar um certo ex-mafioso.
A mesma maldita ladainha de sempre: Uma vez da máfia sempre da máfia. Afinal... Ninguém foge da família.
Basicamente mais um riquinho sujo e corrupto que merecia morrer cedo... Mas quem poderia decidir quem vive e quando morre?
A máfia pode.
E lá estava eu em plena madrugada em frente ao portão da mansão Pietra II com Ricartto ao meu lado aguardando instruções.
-Suba no telhado.
-Je crois savoir 'mon cher'.
E eu entrei... Pela porta da Frente. No hall de entrada da casa. Simplesmente ouvi a famosa barulheira de telhas sendo arremessadas longe e disparos quase mudos de uma possível calibre 38, entre outras de calibre maior. Logo em seguida estalos abafados e o baque de corpos arremessados contra o chão. E assim, o lixo armado da guarda havia sido retirado. Agora faltava recolher apenas... Senti meu coração parar de bater enquanto um calafrio me impedia de olhar para cima.
Pétalas vermelhas... Pétalas de rosas? Pétalas... Uma chuva de pétalas dançavam no ar... Caíam graciosas como se dançassem uma valsa, ou simplesmente estivessem ao som de alguma música sacra como a Ave Maria de Schubert.
De alguma maneira macabra outro fragmento relapso de memória me manteve paralisada:
Em um segundo logo após morrer e ter a alma devolvida ao corpo por aquela lâmina... Eu fui levada à um prédio branco, uma sala branca com uma cama branca, lençóis brancos um arsenal de lâminas e câmeras. Em um momento, tudo estava tranquilo. E um alarme soou.
"O projeto está fora de controle. Evacuem o prédio imediatamente."
A enfermeira que estava ao lado do meu corpo trancou a porta. E foi até a janela de vidro onde normalmente ficam os observadores que assistem a um paciente ou cirurgia. Antes que ela descesse as persianas havia uma chuva de pétalas como naquele dia... E eu não conseguia me mover nem um centímetro e levantar para ver quem estava vindo no meio delas. Mas fosse quem fosse era jovem e trazia sede de vingança consigo... Além de muita dor... A tristeza era tanta que me fez chorar.
E agora... Esse sentimento estava de volta. Finalmente levantei os olhos para cima, e quando nossos olhares se cruzaram uma lágrima escorreu de ambos os lados.
Finalmente entendi o significado da palavra desespero.
O desespero de não conseguir entender exatamente o que se passa tem um efeito enfurecedor sobre mim.
Era um homem de cabelos longos e negros. Vestido dentro de uma capa negra bordada com fios de linho vermelho que formavam arabescos nas bordas. Não podia ver o seu rosto. Apenas seus olhos vermelhos...?! Diferente dos meus, eles transmitiam alguma emoção. Mesmo que fosse uma única: Dor de uma tristeza imensa que invadia quem quer que nos seus olhos olhasse. As longas madeixas negras esvoaçavam para fora do capuz, acompanhando a dança das pétalas vermelhas e flutuantes até que... Eu movi e me atirei de um salto enfurecido com uma lâmina em punho na direção dele.
Uma delas chocou-se contra a lâmina da minha espada e desmanchou-se em sangue.
Finalmente recobrei-me. Agora furiosa por compreender pouco ou quase nada: "Eliminar obstáculo" "Ele é um obstáculo".
Nenhum dos lados disse sequer uma palavra. A luta foi muda. Uma guerra de pétalas chocando-se contra minha lâmina que por vezes quase me feriu... Minha própria espada contra mim?! Ele desviava como podia, até que o encurralei na escada. Pronto... Bastava mais um golpe e estaria tudo terminado... A única coisa que me irritava mais do que o evento anterior era o fato de que o chão daquela mansão era tão polido quanto um espelho. Lutar contra alguém sobre um espelho provoca uma maldita confusão ainda mais com aquelas pétalas!
-Vou acabar logo com isso.
Ele olhou para baixo e disse: Certo... Falou a pessoa que está usando a calcinha do Pica-pau. ¬¬'
Eu olhei para baixo e lembrei que eu vestia saia como parte do costume. Eu realmente não via nada de anormal nisso. Mas por algum motivo ainda mais estupido que todo evento acima descrito senti vontade de explicar ou simplesmente retrucar: - Cala boca. O pica-pau é muito legal!
Eu gosto do pica-pau... Woodpecker... Dá vontade até de assobiar a abertura do desenho.
E foi nesse momento que apenas o vi ser arremessado escada abaixo. E as pétalas caíram imediatamente e desmancharam-se em gotas... E esse cheiro é... Provei uma delas:-Sangue.
Somente depois dessa descoberta impressionante que me lembrei de tentar saber como ele havia ido parar lá embaixo sem eu ter feito absolutamente nada para provocar isso... Olhei ao meu lado e não vi nada. Somente vi duas pessoas rolando no chão entre socos, tapas e roupas rasgadas. Pelo tecido branco absorvendo o sangue como uma esponja tive certeza de que era Ricartto quem estava brigando com ele.
Eu desci as escadas calmamente um degrau de cada vez enquanto os dois se engalfinhavam no chão... No meio do caminho lembrei que tinha que matar o ex-mafioso. Subi novamente até um dos quartos e é claro que ele não estava lá dormindo. Normalmente essas mansões tem um cômodo chamado de "banker" um quarto à prova de tudo com apenas uma entrada e uma saída. Um local seguro... Claro... Se você não for estúpido o bastante para colocar uma fechadura eletrônica nele. Um curto do lado de fora e vc será obrigado a abrir por dentro imediatamente... Ou morrerá sem oxigênio.
E vejam-só quem saiu de lá em menos de 10 minutos?!
Ele estava sozinho lá.
-Você não tinha uma esposa?
- Ela morreu... Negociar eu posso pagar o dobro!
Eu parei para pensar e analisar os fatos, então parei de ouvir o que ele tanto choramingava no minha frente como uma hiena encurralada na frente do predador.
Havia sangue, e um assassino. O sangue estava fresco, e o alvo não era esse porco na minha frente. Ele estava seguro sozinho, mas até hoje de manhã a esposa estava com ele.
-Humano nojento.
Ele parou de falar quando falei.
-O que disse?
-Humano nojento.
Pegando uma arma escondida abaixo do casaco ele começou a atirar, desviei fácil. Na verdade estava com muita raiva... Alguém disse que a raiva aumenta a eficiência do cérebro e do corpo. Acho que o Hulk é a prova disso... Ou quase... O cérebro dele não é lá essas coisas... na verdade ele estava bem burrinho no ultimo gibi que eu li...
O fato é que fiz ele atirar na caixa de força e a luz se foi. Restaram apenas os clarões dos tiros no escuro que ele continuava disparando tentando me acertar. Quando finalmente estava na frente dele as balas acabaram. Mordi o braço dele e arranquei um bom pedaço, ele gritou desesperado se debatendo contra as paredes no escuro procurando uma saída... Não havia... Nunca há. É como Aquela música da noiva cadáver: "Vai vai chegar sua vez, a morte virá. não importa o freguês" e quando ela não vem... Manda um mensageiro. Aqui estou minha amada madrasta...
Já comi melhores mas dane-se tô com fome.