segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Chapter IX Narciso

Minha missão mais recente foi encomenda de um primeiro ministro.
Objetivo: Sequestrar a filha do presidente.

As vezes eu me pergunto porque é tão fácil tirar uma adolescente da escola... Provavelmente é porque eles sempre estão loucos para sair de lá.
Admitam que  deixar um cartão com meu símbolo sobre a cama dela é bem chamativo... Como bom político o presidente tentou abafar o caso e manter a empresa longe... Ignorando o detalhe de que eu tenho o hábito de usar a imprensa como meio de contato.

Um sinal pirata embaralhou e tomou conta de todas as fontes de recepção do país. Nele continha simplesmente um aviso: Atenda o telefone. Depois de 3 toques finalmente ele percebeu que eu não estava brincando... E atendeu. Finalmente veio minha pergunta favorita após alguns segundos de discussão:

-Qual seu preço? Eu pago o triplo.
-Interessante oferta senhor presidente... Fale mais.
-Peça o que quiser apenas devolva minha filha viva.
-Está bem. Eu a devolvo... Mas, se quiser saber porque fiz isso. Eu recomendaria rastrear este telefonema ao invés do sinal pirata que está sendo enviado... 60 segundos lhe parece tempo suficiente para fazer isso? Responda senhor presidente!

-Sim... Se a machucar eu vou...!
-Eu sei. Me diga, está interessado em fazer negócio comigo ou não?
-Sim. Faça o que precisa ser feito.
-Óimo. Anotou o número do telefone que foi exibido certo? Mande o Policial Kevin tão lindo e ruivo do seu lado, apagar os primeiros 4 dígitos e terá o número da conta na qual deve depositar o pagamento. E nada de gracinhas...
Ah policial Kevin? Como vai sua esposa? Já falou com ela hoje? Eu aconselharia a ir para casa... Ou ela pode morrer.

Kevin começa a ligar para sua casa... O telefone está mudo. Ele se desculpa e sai correndo.
5 segundos depois aparece na tela do meu monitor:      "--TRANSAÇÃO CONCLUÍDA--"

Enviei as mesmas quantias para 20 contas laranjas em 20 países diferentes. E todas foram sacadas ao mesmo tempo.
-Muito bem senhor presidente! Parece que restam apenas 10 segundos antes que termine de rastrear a ligação... Bem, é o suficiente. Sua filha está com a esposa do policial Kevin. Eu cortei as linhas telefônicas da região melhor ir buscá-la pessoalmente.

--------------------Desliguei------------------------

Chapter VIII Violino

Não desperdice meu tempo com suas lamúrias... Todo mundo tem um preço, é claro que eu também tenho o meu. Se a palavra "Lema" fizer algum sentido para mim ele é caçar, matar comer carne humana e tocar violino.

Sim, eu descobri de onde vinha o som... Descobri que havia um rapaz jovem com roupas de teatro maltrapilhas que tocava naquele beco vazio dia e noite.
Era belo, mas sua paixão pela música o deixara louco. Tocava por horas... Dias sem desafinar até desfalecer faminto e exausto. Resolvi cuidar dele simplesmente para que pudesse ouví-lo tocando... Eterno e tão cheio de ternura...

Talvez... Assim como o som do violino trouxe uma parte do meu passado... Talvez um dia devolva o meu futuro.
E quem diria! Não era tão débil quanto parecia... Em agradecimento aos meus cuidados ele não fazia perguntas... Nem mesmo quando eu voltava para casa coberta de sangue humano; e ainda cometeu a gentileza de me ensinar a tocar.

Chapter VII Crucifixo

Como o vento frio e traiçoeiro que traz a poeira para dentro de casa no verão, esse instrumento me devolveu um fragmento do meu passado.

A mulher que gerou meu corpo se suicidou dois dias antes...
Três dias antes o homem que se casou com ela me presenteou com um violino  que no fim era grande demais para mim. Cinco dias depois ele parecia doente e preocupado.

Nesse dia ele e eu jantamos juntos, tomamos leite quente ele e eu, ele cantou para mim... Ele tinha uma voz bonita e calma como uma brisa gentil... Não lembro do seu rosto... Lembro que ele sempre andava com um crucifixo no pescoço. Eu gostava do crucifico... E ainda gosto, por isso o carrego no pescoço comigo.

Quando caí no inferno vi como a morte me alcançou.

Ele berrava para as paredes: "NINGUÉM VAI LEVÁ-LA!" - E me sufocou com um travesseiro rapidamente...
Recolheu meu corpo já sem vida e o pôs dentro de um caixão cheio de rosas, cruzou minhas mãos, arrancou o crucifixo do próprio pescoço e o colocou envolta delas.

O shinobi o matou sobre mim... Meu cadáver provou o sangue do meu progenitor...
E Aquela lâmina me fez regressar do mundo dos mortos.

Assim como os mortos não devem voltar, os que voltam certamente não poderão regressar...
E assim, presa entre o céu e o inferno; nem viva nem morta. Um monstro com aparência humana... Uma Ninja Gotica.

Não me interprete mal, não sou deprimida, e nem estou dizendo que todos os góticos são como eu.
Estou dizendo que sou um resultado caótico, uma parte fragmentada do mundo gótico anexado ao mundo ninja.

sábado, 29 de outubro de 2011

Chapter VI A Nota Musical

Como loucos que se atiram de um precipício os três me atacam, e eu não reajo. AINDA.
... A lâmina de Ryú é a mais afiada em matéria de cortar, é fácil ver como ela atravessa facilmente meu coração. Só não [e tão rápida, quando o gancho de esquerda do Bob, que me arremessou 3 metros à frente e nem tão pesado quanto é o chute esmagador de Juliet quebrando minhas costelas nesse exato momento...

E nem mesmo essas três habilidades excepcionais são capazes de fazer meu corpo ficar inerte no chão. Como uma marionete de ventríloquo fantasma lentamente volto a ficar de pé. E Ryú não pensa... Com a espada em punho se atira na minha direção frente a frente. Embora não tenha sido esse o seu erro mais fatal. E sim o fato de deixar sua lâmina tão trêmula quanto ele.
E por isso sou capaz de detê-la e quebrá-la somente com as mãos. E com o pedaço da lamina da sua própria espada dilacerei sua garganta.

Juliet grita desesperada, e se atira na minha direção Bob faz o mesmo na direção oposta. Que tolice... Já sei o que pretendem fazer. Um salto baixo e miserável é o bastante para fazer com que ambos chocassem um no outro seus golpes.

-Duplo nocaute? Fácil assim? Na verdade vocês sempre foram um tédio.

Bob ainda está meio acordado: - Poupe a vida dela.

-Você não se lembra do que o Pai ensinou? Primeiro as damas.

Amarrei uma linha fina preparada com cerol especial no pescoço dela e caminhei na direção dele. Que implorou: - Piedade... Pelos velhos tempos...

-Os velhos tempos que me ensinaram a fazer isso.

Enrolei a linha em uma vela acesa e a mesma linha o imobilizei de modo que se mexesse se cortaria. Peguei 3 galões de gasolina, abri e deixei derramar sobre todo chão do galpão. Saltei e sentei na janela mais alta. Alguns minutos depois Juliet acorda e ao me ver, sua ação natural era prevista... Bob Tenta gritar: "Não" e corta a boca. Ela não perceberia um fio tão fino... Se levantou de súbito e com esse movimento simples, a linha derrubou a vela e decepou própria sua cabeça. Eu fiquei para ver o incêndio até as chamas subirem e consumirem os cadáveres e com eles os vestígios dessas lembranças.
E após o caos eu ouvi um som. Composto pela nota que me deu um nome um dia... Seguida por várias outras... Eu me lembro... Dessa nota musical... Vem de um violino.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Chapter V Fome

A fome que sinto é uma fome bárbara e brutesca... Uma fome natural... Ou nem tanto.
É claro que todos diriam que uma coisa como eu não deveria existir... E eles tem razão... Eu não devia estar aqui, os mortos não devem voltar.

O problemas é que já estou aqui. E não tenho para onde voltar... Não mais. Poderia ser outro no seu lugar agora... Ninguém mandou me tirar do sério...

Ah sim! Quanto a essas três figuras atrás de mim atônitas e trêmulas diante desta cena grotesca, eles são meus companheiros. Ninjas, lobos para saciar a sede de poder dos magnatas. As ferramentas das sombras: Juliet, Ryú e Bob. Eu sei o que você o que você está pensando... Eu não sou asiática, nem Juliet ou Bob. Bem, a culpa  é do mestre... Ele que veio para cá e fez discípulos à punhos de ferro... Mas depois eu explico direito essa história... Esse momento crucial... É o marco histórico da minha existência... A primeira vez que fui sincera... A primeira vez que mostrei minha verdadeira face...

Bob: - QUE PORRA É ESSA SOL?!

Juliet: - É um demônio! Um demônio matou nosso mestre e a possuiu!

Ryú: - Sol... Fala alguma coisa!

- Vocês três... Não tem noção de como a carne humana crua... É saborosa

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sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Chapter IV Mãe & Pai

Eu não sei o que tirou-me a vida...
Mas tenho certeza que uma lâmina a devolveu.
Dizem, que mãe é aquela que dá vida e protege...
Nesse caso, esta espada que tenho em meus punhos agora... É minha mãe.

Havia um shinobi à minha frente naquele dia... Do tipo velhinho asiático. Ele disse:
"Eu serei teu Pai de hoje em diante"

Eu acreditei nele. E sabia que não estava mais sozinha... O que eu não sabia, era que aquele velhinho a quem eu me apegara tanto, trajado como um ninja, não só me transformaria em tudo que sou hoje, como também era ele o culpado da minha desgraça...

Chapter III O mundo dos mortos "Estribilo"

- Como foi a viagem?

- AAAAAAAAAAAAAAAAAAH!

-EI! Não corre não! temos que costurar seus membros! 

E eu desmonto no chão como se fosse um quebra cabeças.

-Quem são vocês?!
-Ah eu sou o carinha que pergunta como foi a viagem. 
-eu sou a mulher (eu acho) que costura os membros. Olha, se não costurar vai acabar ficando só os ossos!! Hahahaushuahushuaha!!!

-Que lugar é esse?!
-O mundo dos mortos! Seja bem vinda mocinha!
-Não! Não! Eu sou muito nova! 
- Todo mundo é! - Fala uma velhinha no canto do salão. 

-Ah pequenina! A morte é bela! Ruim é ficar na estrada, naquele inferno por onde você passou ... Mas vai acabar gostando de ficar por aqui...

-Hoje vamos fazer um baile! Para comemorar sua chegada! 
-Qual é o seu nome? 
-Meu nome? Qual era mesmo...? - As imagens e os rostos conhecidos estão desaparecendo pouco a pouco... - Eu ... Não sei.
-Ah tudo bem! Aqui ninguém lembra o nome mesmo! - Tenta me acalmar uma mumiazinha simpática. 

Começo a chorar... E todos começam a chorar junto comigo. 

-Isso é tão triste! -Um dos esqueletos assoa o nariz com os trapos da múmia...

Era tudo tão bizarro e surreal que era engraçado... Finalmente eu vi... Eu juro que vi! Eu vi sim! A beleza na morte... Trevas luminosas e cálidas como jamais se imaginou... E já me sinto em casa... Nesta versão avessa do mundo dos vivos... Tão mais aconchegante... Mas antes que eu pudesse sorrir...
                                                               Eu voltei. 


Chapter II O mundo dos mortos

Era quente e frio, nada estava em seu lugar. Em cima era embaixo e embaixo é em cima; direita é esquerda e esquerda é direita e tudo voa... Você flutua... Existir dói... E você cai no infinito... Teus medos te cercam, teus monstros renascem.
Arrancaram meu braço!
-Devolvam meus membros! Não sou uma boneca! Sou uma cabeça flutuante...
Continuo caindo... Estou com fome...
Eu quero minha mãe!
Que frio! Frio! Quente.. Muito quente! Alguém me ajude!
Um barulho oco... O baque de um corpo...
Estou me vendo... Não me joguem aí! Não quero ficar aqui para sempre!
Alguém me tocou... Um esqueleto?!

Chapter I - Soledad

Minha tragédia se passa antes que eu pudesse lembrar o meu nome...
Não me lembro quase nada... Lembro apenas que quando criança eu era feliz.
Um dia eu adormeci no céu que pode ser uma cama quente e uma boa comida após a canção de ninar...
E despertei no inferno. Literalmente no inferno.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

A arte de odiar II

Amor e Ódio 

Eu te amo com todo ódio que te tenho!
Amo com o mais suave dos venenos
 Com o mais doce sentimento!
Com a dor mais profunda de alguém
 Que chora em silêncio.

       Eu te amo...
Com todo ódio que te tenho!
Amo com a fragilidade de uma flor!
Amo com a força de um guerreiro.
      
      Eu te amo...
      E te odeio...
Com todos os sentimentos...
Como a tempestade que passa,
Com o assobio de um leve vento.

     Eu te odeio,
  Porque te amo  demais
Este amor que te tenho!

(LENI MARTINS) autora do poema



A arte de odiar

Eis que lhe afirmo que odiar é uma arte pura! 


Poucos de nós pararam para pensar em quão sublime é a declaração de ódio... Profunda, gritante e ardente Cuja chama não se pode extinguir entre simples palavras. Muito pelo contrário, a cada suspiro do odiado ela se intensifica... 
Surgindo então o desejo de sangue. Roubar-lhe os dias em alguns segundos e sentir o sangue quente escorrer entre os dedos... O que todos julgam como pesadelos lhe soa tão doce! 
Juro que quem não odeia jamais amou! O ódio é justamente o amor desfigurado como o Nosferatu, que um dia foi belo... Sincero, inocente... Hoje é o Frankenstein com suas partes costuradas a fio da dor, repulsa e arrependimento!
Não se conquista uma centena de amigos sem se conquistar pelo menos a metade ou o dobro em inimigos.
Não se ama o oposto se ele não lhe soou estranho na primeira vez e o encantou. 
Humanos tem tendência esconder o que amam por medo de serem julgados... Eu lhes declaro que Amo o ódio que tenho pois tenho o direito de sentí-lo! E não posso renegá-lo! 


Ah! Que ódio eu sinto! Ah que arte maligna é essa da crença! 


Como pude deixar atarem meus braços e pés e ainda vendarem meus olhos?! 
Óh vós que me desprezais por essa declaração sublime, esperai! Eis que lhes mostro meus motivos! Juro que se viceis o que eu vi também se juntaria a mim nesta cantiga!


Criança pequena cujo pai desceu a cova quando esta ainda era muito nova... 
Criança inocente que mente por medo de castigarem suas costas 
Criança pequena que em reza pediu para que dela cuidassem 
Criança que cuja mãe iludida e casada novamente sofreu maus tratos 
Eis que as boas lembranças são soterradas com cobranças e xingamentos 
E os que estão de fora apontam: São crentes!
Que crença é essa que te sufoca e faz desejar a morte enquanto ainda criança?!
Não meus pequeninos! Quebrai os grilhões da ignorância! Se o teu deus te ordena amar porque sufocas? 
Acaso queres impor amor à força? 
Não meus pequeninos, não perdoarei aqueles que sacrificam a própria vontade de viver e roubam a minha! 
Sim! Eu odeio! Odeio porque fomos traídos e enganados! Nos manipularam como quiseram e os nossos restos mortais ficaram ao relento!


Odeio aqueles que matam e ferem em nome de um deus! Tenham um motivo melhor! Admitam que são gananciosos! 
Matem em seu nome! Tudo é comércio... Alma é comércio, salvação se compra por algumas gramas de ouro.


Odeio porque tenho o direito de odiar. Juro... Juro que quem nunca odiou jamais foi capaz de amar!