segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Chapter VII Crucifixo

Como o vento frio e traiçoeiro que traz a poeira para dentro de casa no verão, esse instrumento me devolveu um fragmento do meu passado.

A mulher que gerou meu corpo se suicidou dois dias antes...
Três dias antes o homem que se casou com ela me presenteou com um violino  que no fim era grande demais para mim. Cinco dias depois ele parecia doente e preocupado.

Nesse dia ele e eu jantamos juntos, tomamos leite quente ele e eu, ele cantou para mim... Ele tinha uma voz bonita e calma como uma brisa gentil... Não lembro do seu rosto... Lembro que ele sempre andava com um crucifixo no pescoço. Eu gostava do crucifico... E ainda gosto, por isso o carrego no pescoço comigo.

Quando caí no inferno vi como a morte me alcançou.

Ele berrava para as paredes: "NINGUÉM VAI LEVÁ-LA!" - E me sufocou com um travesseiro rapidamente...
Recolheu meu corpo já sem vida e o pôs dentro de um caixão cheio de rosas, cruzou minhas mãos, arrancou o crucifixo do próprio pescoço e o colocou envolta delas.

O shinobi o matou sobre mim... Meu cadáver provou o sangue do meu progenitor...
E Aquela lâmina me fez regressar do mundo dos mortos.

Assim como os mortos não devem voltar, os que voltam certamente não poderão regressar...
E assim, presa entre o céu e o inferno; nem viva nem morta. Um monstro com aparência humana... Uma Ninja Gotica.

Não me interprete mal, não sou deprimida, e nem estou dizendo que todos os góticos são como eu.
Estou dizendo que sou um resultado caótico, uma parte fragmentada do mundo gótico anexado ao mundo ninja.

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