Alguns minutos depois eu estava diante do excelentíssimo senhor primeiro ministro.
-Primeiro ministro? A operação foi um absoluto sucesso, assim como eu planejei.
-Ótimo! Já mandei transferir o dinheiro para a conta combinada.
-Eu sei... Eu vi. E vi também que você não cumpriu sua parte do combinado totalmente... Se bem que apenas isso eu seria capaz de relevar. O que não aceito; é o mero detalhe descarado de que você além de me roubar um terço do pagamento do presidente, não pagou sua parte, e ainda por cima teve a ousadia de colocar a federal atrás de mim. Tem noção do que você fez?
-Não sei do que está falando... Eu de modo algum a trairia.
-Ah não sabe? Vou refrescar sua memória então: O presidente simplesmente deveria ter me pago o dobro do que você me ofereceu para sequestrar a pirralha presidencial. E assim você poderia fazer um minucioso levantamento de provas e extratos e poderia acusá-lo de roubo aos cofres públicos no mês seguinte. E por consequência de uma morte "misteriosa" do vice-presidente você assumiria o cargo. Brilhante... Se não você pelo detalhe de que você vai morrer agora.
-O que?! Olhe pense bem, posso lhe dar um cargo! 10 vezes mais! -Aquela expressão típica enlouquecida, falsa e ambiciosa que é estampada na cara de todos os políticos nos folhetins de campanha também estava estampada na cara dele... Isso me irrita.
-O presidente não me pagou o dobro. E sim quatro vezes mais. Sabe o que significa certo? Sim, ele pagou pela sua cabeça. Conhece o meu lema... Eu te avisei... "Até 4 é o limite do preço; sendo que alguém há de morrer".
-Vamos negociar... Pelo amor de deus!
-Quem? Olha, não fique citando estranhos no meio de uma conversa intima entre "amigos". Sabe, tem uma coisa interessante no seu sotam... Fiz todas as ligações daqui, da sua casa. Foi assim que o presidente entendeu minhas indiretas. Viver para quê? Amanhã você não terá onde cair morto.
Eu disse tudo isso com um olhar sórdido e psicótico. Eu tinha noção do quanto aquilo era perturbador, mas a essa altura já havia se tornado... Parte do trabalho.
Foi divertido abrir o peito dele. Morder um coração humano ainda palpitante é uma sensação única!
E foi assim que cheguei em casa exausta. E havia um bilhete sobre a cama do jovem músico. Eu sei, que aparentemente não é certo alguém da minha estatura chamar outro de condições físicas semelhantes de jovem ou velho, mas simplesmente não tenho a mínima noção do tempo. Para mim velhos e novos se confundem. São todos iguais!
O bilhete dizia: "Eu sei do que você vive estou no beco"
Pela primeira vez ele não estava tocando quando cheguei... Ele segurava em mãos uma flor branca.
-E então? Vai fazer algum exorcismo com essa florzinha aí?
Ele veio em minha direção e me deu a flor, por alguns instantes relutei em pegá-la. Por fim a segurei.
-É um narciso branco. Meu nome também é Narciso.
-E o que isso importa?
-É que... Me apaixonei por você.
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