Andei perdida entre paredes e colunas por horas, o som do violino de Narciso parecia um convite a permanecer perdida por toda eternidade.
E eu sabia que cedo ou tarde as notas morreriam bruscamente...
Desaparecendo sem promessa de retorno.
Valsa Dantesca... Certamente é um lugar misterioso não parece tão imenso quando visto de fora, porém ouse aventurar-se sozinho em seu interior e pode jamais retornar. Apesar da aparência de desastre na entrada e no palco principal causado pelo incêndio há poucos dias, estes pilares permanecem sólidos e os corredores de uma limpeza impecável. Continuo vagando...
Ricartto há de estar preocupado comigo... Certamente já despertou e me procura desesperadamente... Espero apenas que não se perca também... Espere, espere! Ele é um gato. E os felinos jamais se perdem...
Paro de andar sem rumo um momento... O som morreu subitamente! A mesma sensação desagradável da primeira vez me toma os sentidos, totalmente em vão olho em volta buscando uma saída. Porém... Algo me chamou atenção. Na última encruzilhada seguindo em frente à direita.... O piso vermelho envernizado é perfeito e reluzente, porém... há um muro baixo... E algumas paredes estão em situação de ruína algo absolutamente estranho para um local cujo proprietário é uma criatura irritante e cheia de frescuras como Marchello... Oras, já até sei o nome dele?! Que bobagem!
Meus passos não tem som. Apesar do piso ser extremamente liso não me condiciona risco e mesmo assim tropecei em algo. Olho para baixo... É um crânio. Parece que tropecei na cabeça de alguém que descansava ou não em paz.
O cadáver estirado com aquelas roupas nada me significava... Nem mesmo o violino sob a mão do morto. Mas estes olhos vazios de uma escuridão absoluta onde eu podia quase que fitar os olhos da própria morte... Se a morte é uma madrasta terrível ou não, uma coisa é certa: Ela sempre iguala seus enteados um a um. Devolvendo ao pó o que não deveria nem mesmo ter saído dele.
Caio de joelhos no chão. Abraçando o Crânio vazio em meu colo. o vento sopra gélido e mortal... Há um trilho de trem atrás de mim após o baixo muro branco... Isso pouco importa pois tudo que se ouve são meus sussurros entregues ao vento: Viveu pela música, ela lhe ceifou a vida. Agora somos iguais na morte... Cumpriu-se tua sentença... Eis que o espetáculo prossegue sem o violinista principal... Sem Narciso!
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