quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Chapter XII Vazio

Realmente nunca entendi o significado da palavra "saudade".
Tudo que sei, é que a ausência de Narciso pesou... Pesou no espaço imenso como uma pétala de rosa pesa sobre a retina de um cadáver recente... E como nada grita mais alto que o silêncio... Você passa a ouvir mais do que o de costume... Os grilos estão cantando lá fora... E os humanos... Continuam seguindo com suas vidas. Não tenho o hábito de julgar os humanos só porque são humanos; mas definitivamente os odeio. Se eu dissesse que os amo aí sim estaria agindo como um deles... Mas só porque você odeia uma coisa... Não quer dizer que não a salvaria... Não é?

Agora estou olhando para o teto... Me falta a vontade necessária para impulsionar meus músculos e me sentar. De modo que devo ficar quase inerte no chão por algumas horas, que logo se transformariam em dias. Não é tão ruim. É bom... Como agora estou morando em um esconderijo subterrâneo, não faz tanta diferença entre minha "residência" e um caixão debaixo da terra, exceto... Que é bem maior... Muito maior.

Mas quando nos rendemos ao vazio... Um simples eco é capaz de nos incomodar tão profundamente quanto o som de uma britadeira no próprio crânio. E foi esse eco que me lembrou que eu precisava me movimentar um pouco ou meu corpo logo iria parar de bombear o sangue morto com tanta eficácia e minha carne poderia necrosar. Não é uma ideia que me agrade muito... Na verdade não gosto nem um pouco dela.

Uma coisa é ter um olhar mortal que diz apenas "eu vou devorá-lo" "não adianta gritar... Eu não vou ouví-lo... E ninguém vai" a outra bem diferente é feder como um defunto velho.

Mas, voltemos ao tal eco que eu ouvi há pouco. Minha audição é muito aguçada... Veio lá de cima... Tenho certeza.

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