quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Chapter XIII O Gato e a Gaita

 Tomei um banho não me pergunte porque, mas gosto muito de banhos. Aposto que seria igual ou pior se tivesse morrido afogada, a verdade é que por culpa de Narciso acabei me acostumando com o jeito fácil dos vivos levarem os dias, então seguir esses sistemas "naturais" de sociedade é muito sem sentido... Mas extremamente viciante... Gosto videogames... Enfim, depois dessa sequencia de reflexões pouco importantes subi. Como o eco era muito fino e não muito distinguível imaginei que não passasse de algum gato faminto. Então levei um pires de leite.

Mas quanto mais eu me aproximava do ponto de origem do eco que agora tornava-se um som mais claro porém desconhecido. Eu não conseguia parar de imaginar que instrumento poderia produzir tal sinfonia. O chão está úmido... Dá pra ver pelas poças de lama dessa pocilga que chamam de rua. Agora me dei conta de que andei muito e estou a quilômetros do ponto de partida... Mas que tipo de lugar fétido e insalubre é esse? Bem, pela situação dos estabelecimentos trancados durante o dia e esse fedor de secreção humana calculo que mais à frente tem um prostíbulo.

Mas uma rua antes uma entrada de viela pobre sentado sobre um monte de caixotes seminu e molhado com uma aparência não tão interessante tem alguma coisa... A princípio pensei que fosse algum humano vagabundo, e mas notei que o som vinha de lá. E fui me aproximando. Antes que eu chegasse pois ainda estava um pouco longe um homem pareceu tentar arrastá-lo para dentro do depósito e como ele não ia o homem tentou usar força e nesse momento vi algo que não esperava... Mas achei lindo... Ele deixou cair aquilo que segurava entre as mãos e o rosto era um objeto bem pequeno e cumprido, a parecia-se bastante com um canivete... Ele golpeou estômago do tal homem e como ele ficou sem ar rapidamente o derrubou no chão quebrando a coluna do indivíduo e segurando seu braço arrancou com os dentes um a um dos seus cinco dedos e quanto mais ele se debatia mais sangue jorrava.

No final ele disse: "Vous n'êtes rien. Qu'il mérite pour les mettre ces doigts sales sur un objet aussi minceque moi."


Pegando de volta seu objeto ele o limpou e eu fiquei surpresa... Saiu um som! Definitivamente não era um canivete... Ou ele o teria usado...! 
Finalmente o alcancei... E vi algo impressionante...  Algo que me ofuscou completamente... Ele tinha na cabeça escondidas entre o cabelo molhado orelhas de gato... Ele tinha olhos acinzentados como de um filhote de gato recém-nascido que não se decide entre o azul-céu e verde-mar. Eu o definitivamente queria levá-lo para casa... E levei. 


Tecnicamente eu sou um cadáver e não tenho vida, mas tudo que se alimenta e faz alguma digestão é vivo de alguma maneira... Ou simplesmente por convivência ou simples ato de assistir os humanos peguei esse hábito  de usar essa palavra também.  Sou obrigada a admitir que apesar de tanta porcaria no mundo humano... Eles também tem algumas coisas que agradam até mesmo a mim.


Dou minha vida por um gato ou cachorro... Hoje por um gato. 


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