Mas quanto mais eu me aproximava do ponto de origem do eco que agora tornava-se um som mais claro porém desconhecido. Eu não conseguia parar de imaginar que instrumento poderia produzir tal sinfonia. O chão está úmido... Dá pra ver pelas poças de lama dessa pocilga que chamam de rua. Agora me dei conta de que andei muito e estou a quilômetros do ponto de partida... Mas que tipo de lugar fétido e insalubre é esse? Bem, pela situação dos estabelecimentos trancados durante o dia e esse fedor de secreção humana calculo que mais à frente tem um prostíbulo.
Mas uma rua antes uma entrada de viela pobre sentado sobre um monte de caixotes seminu e molhado com uma aparência não tão interessante tem alguma coisa... A princípio pensei que fosse algum humano vagabundo, e mas notei que o som vinha de lá. E fui me aproximando. Antes que eu chegasse pois ainda estava um pouco longe um homem pareceu tentar arrastá-lo para dentro do depósito e como ele não ia o homem tentou usar força e nesse momento vi algo que não esperava... Mas achei lindo... Ele deixou cair aquilo que segurava entre as mãos e o rosto era um objeto bem pequeno e cumprido, a parecia-se bastante com um canivete... Ele golpeou estômago do tal homem e como ele ficou sem ar rapidamente o derrubou no chão quebrando a coluna do indivíduo e segurando seu braço arrancou com os dentes um a um dos seus cinco dedos e quanto mais ele se debatia mais sangue jorrava.
No final ele disse: "Vous n'êtes rien. Qu'il mérite pour les mettre ces doigts sales sur un objet aussi minceque moi."
Pegando de volta seu objeto ele o limpou e eu fiquei surpresa... Saiu um som! Definitivamente não era um canivete... Ou ele o teria usado...!
Finalmente o alcancei... E vi algo impressionante... Algo que me ofuscou completamente... Ele tinha na cabeça escondidas entre o cabelo molhado orelhas de gato... Ele tinha olhos acinzentados como de um filhote de gato recém-nascido que não se decide entre o azul-céu e verde-mar. Eu o definitivamente queria levá-lo para casa... E levei.
Tecnicamente eu sou um cadáver e não tenho vida, mas tudo que se alimenta e faz alguma digestão é vivo de alguma maneira... Ou simplesmente por convivência ou simples ato de assistir os humanos peguei esse hábito de usar essa palavra também. Sou obrigada a admitir que apesar de tanta porcaria no mundo humano... Eles também tem algumas coisas que agradam até mesmo a mim.
Dou minha vida por um gato ou cachorro... Hoje por um gato.
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